sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Em Coimbra

Texto tirado do blog: http://bacalhaucomnatas.blog.com/

- Não há vida antes das 14h.

- Não há sono antes das 2h.

- Rotina não existe.

- Pessoas começam a beber meia noite, saem de casa às 2h e entram na balada às 5h.

- O almoço vira janta, a janta vira lanche, o lanche vira café-da-manhã, o café-da-manhã vira almoço.

- Ir a aula é para poucos.

- A faculdade nunca foi tão perto: apenas atravessar uma praça.

- A faculdade nunca foi tão longe: subir as Monumentais.

- Não existe lugar pequeno. Sempre tem espaço pra mais um.

- Qualquer cômodo da casa pode virar uma pista de dança.

- Os shots não matam (mas a Laranja Mecânica, sim!)

- O vinho de mesa reina.

- As moedas de 1 e 2 centavos são extremamente valiosas.

- Jantar é um evento. Jantar fora, então , é O evento.

- Sair com 5 euros é riqueza.

- O meio de comunicação é o SMS (mesmo se a pessoa com quem você quer falar está no quarto ao lado).

- Só se compra o que for da marca do próprio supermercado.

- O Mc Donald’s é o melhor amigo da preguiça.

- Não existem adultos: somente jovens e idosos.

- Traição é traição. Romance é romance. Amor é amor. E um lance é um lance.

- Os esquentas são melhores do que as próprias festas.

- Ir ao supermercado é a atividade física da semana.

- Depois do penalty, só Deus sabe.

- “Ana Júlia” não sai de moda.

- É possível viver sem televisão, manicure e feijão.

- É impossível viver sem internet e TV’s piratas online.

- Os saldos fazem com que as pessoas tenham menos criatividade na hora de se vestir.

- Tudo é improvisado.

- As pessoas ficam menos bronzeadas e engordam misteriosamente.

- Subimos e descemos, descemos e subimos.

- Não importa aonde você vá, sua roupa vai voltar cheirando a cigarro.

- A família se expande.

- Todo dia alguém chega.

- Todo dia alguém vai embora.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Muitas novaidades; Adeus Clown, Hello Snow.

Muita coisa aconteceu durante esse longo período afastado do Blog. Desculpas não funcionam, mas mudei-me de casa, estava um período sem internet e apesar das novidades fui negligente com o blog. Porém, bola para a frente que tem muita por ai...

A tão "sofrida" formação em Clown chegou ao fim e entre mortos e feridos salvaram-se todos. Todas as dificuldades que apareceram no post passado foram ora diminuidas e ora aumentadas durante todo o percurso. No final houve a tradicional aula aberta que é uma mistura entre apresentação e aula mesmo, onde o grupo mostra para o público as coisas que aprendemos durante a formação.

Clowns citaquianos após uma batalha.
 
Cade neném?!
 
Dãã!?

Não posso dizer que foi uma aula aberta excelente, muito menos engraçada. Mas acredito que para todos do grupo foi uma experiência muito boa de ser incrivelmente estúpido na frente de tantas pessoas e também foi divertida... Uns mais à vontade, outros com muitas defesas ainda (inclusive eu). Houveram momentos hilários e outros sem força, como se pode esperar de um grupo que teve apenas 15 dias de Clown, uma construção que demorar uma vida para ser formada.

Tirando umas férias do CITAC aproveitei para conhecer a Serra da Estrela. Um lugar que tem um nome muito bonito e eu sempre tive vontade de conhecer, tanto pelas histórias de Louriga (cidade na Serra que tenho antepassados), quanto pela Estação de Esqui. Foi um passeio fantástico, a Serra estava coberta de neve as pistas de esqui estavam em boas condições para a prática do nobre esporte Bretão  Nórdico.

Já durante o caminho ficamos impressionados com a nossa incompetência como moradores-visitantes de Portugal que durante TODO o inverno não haviam ido sequer uma vez à Serra da Estrela!! Ficamos felizes de conhecer e meio frustrados, porque a Estrela fica apenas à 1:30h de Coimbra e é uma mudança radical no ambiente (com neve, montanhas e um visual lindo) e costumes, nem parece que estamos tão próximos. Então vem aquele arrependimento, típico de alguem que vai tomar o pote de sorvete quando ele já esta no finalzinho (What a fuck!? espero que compreendam).

Estação Vodafone de Esqui.
Serra da Estrela, barragem.

Chegando na Estação de Esqui estavamos tipo criança quando vão à um parque de diversões e querem logo sair correndo para os brinquedos. Eu mais ainda, afinal nunca tinhamos esquiado e eu nunca tinha pisado ou tocado na neve. Caboco é foda. Tirando o Paulo e o Marcelo que supostamente esquiaram e Dubai e tinham " O nível 1 de snowboard e esqui".Então, fomos para as aulas.

The Great Ski Legends
Aulas? Eu escrevi aulas?? Isso é coisa de iniciante. Como eu sou um talento nato nesta modalidade esportiva achei desnecessário instrutores. Deixa comigo, que eu comando!

Esqui nos pés e veio o primeiro impacto. Como se locomover quando não há inclinação, afinal é muito desconfortável tentar andar na neve, deslizando e tropeçando nos esquis. Ficamos nós 4 (Eu, Marcelo, Paulo e sua linda namorada Camille) igual patos tentando andar no gelo. Até que veio alguém e disse que tinha q andar de lado. Eu como sou mais rápido peguei logo a inclinação da primeira pista (very-very-stupid-easy) e desci numa velocidade (que à primeira vista era rápida).

O problema é que no final da pista tinha uma fila de pessoas esperando para subir no teleférico. Eu vinha completamente sem freio e sem saber fazer curvas. Como sou inteligente, lembrei das olimpíadas de inverno e de como os atletas paravam (ficando meio de lado) e de como eu parava quando andava de patins. Tentei fazer a manobra de freio e eu fui literalmente catapultado pelo esqui, quiquei 2 vezes de peito na neve e cai com as pernas trançadas.

Exemplo da queda

O problema é que a perna direita ficou pro lado esquerto e vice-versa e eu não sabia ejetar os esquis. Fiquei rolando lá na neve, sem luva e com as pernas entrelaçadas. Tava tão tosca a situação que um instrutor veio chegando perto para me ajudar. Daí meu orgulho foi mais forte e me levantei não sei como. Como eu percebi que a minha atitude de descer a pista sem nem saber freiar foi idiota, reuni informações com as pessoas próximas de como controlar os esquis e principalmente freiar.

A partir daí foi só sucesso. Sai da pista very-very-stupid-easy e fui para a easy mode. Aos poucos eu fui aprendendo as curvas, freiar em curva e etc. Só observando os outros e praticando dá para aprender, acho desnecessário pagar professor para aprender esquiar. E como é legal esquiar!


Tudo branco. Ê neve!! Wee ¬ ¬

Dolce & Gabbana Models - Winter Colection 2010-2011.

A experiência de esquiar foi tão divertida (apesar de tudo) que durante a semana voltei à Serra da Estrela  para esquiar mais um pouco. No caminho o susto! Onde está a neve toda que vimos acima??? A Serra estava degelando total, não havia cenário branco nem nada. Ainda por cima o sol estava de rachar. Já desiludidos chegamos à Estação Vodafone e surpreendentemente ainda havia neve nas pistas e dava pra esquiar.

É bem verdade que a neve estava bem superficial, muito gelo em alguns pedaços, mas foi um dia muito proveitoso. Já sabendo os fundamentos básicos apenas treinei a minha natural habilidade no esqui (cof, cof) e foi ótimo! Modéstia a parte, mandei muito bem e tenho testemunhas! Hahahaha. Muito motivado pela irresponsabilidade andei nas pistas difíceis e depois de uma experiência de quase ser cuspido da pista em alta velocidade numa curva eu dominei as técnicas do esqui! Rá! 

Fiquei viciado em esquiar. Pena que o inverno pesado já foi embora e agora as temperaturas já não estão tão baixas. Tive a experiência de esquiar com friozão, neblina forte e neve na barba e poucos dias depois esquiando com um sol forte que deu até para suar um pouco por baixo das camadas de roupa e casaco.

Ainda tem muita novidade que eu vou, juro que vou atualizar!







sábado, 22 de janeiro de 2011

Como ser aberto em uma terra fria? Procuro apenas meu Clown.

Portugal está lotado de brasileiros. O mestrado em direito está lotado de brasileiros. Minha casa está lotada de brasileiros. Então o meu contato com os portugueses em sí resume-se ao CITAC (grupo de teatro). Claro que tenho um ou outro conhecido português, mas não mantenho aquele contato diário. E bem o que isso interessa?

Malta do CITAC.

O fato nada novo é que os portugueses são um povo muito mais fechado, silencioso e não muito receptivo em um primeiro momento, até em um segundo momento também, quiçá no terceiro. Explicar-me-ei! Nós, brasileiros, somos à frente do tempo; mal conhecemos as pessoas e, se gostarmos dela, já estamos a dividir histórias, criando certos vínculos, incluindo-a em nosso círculo de amizades, demonstrando carinho e essas presepadas típicas do nosso povo nascido nos trópicos. Mas essa é uma marca registra dos brasileiros ao redor do mundo e, sinceramente, acho isso extremamente positivo. Porém, como tudo na vida tem prós e contras isso carrega um estigma forte.

Sabe aquele "amigo" que fala alto, ri toda hora igual um louco, tem a péssima mania de tocar nas pessoas enquanto fala, é inconvenientemente introsado querendo sempre participar das coisas, mesmo quando não convidado e já acha que é amigo das pessoas?? Pois é, tenho uma impressão que nós temos uma leve inclinação p/ esse tipo de comportamento numa visão portuguesa das coisas. Não sei c deu pra compreender.

Comos as pessoas aqui são mais fechadas, eu ACHO que se sempre estivermos brasileiramente abertos podemos causar esse tipo de reação, um certo... sei lá. Então, passei a adotar um comportamento autocontido, distanciando-me um pouco da sociabilidade no grupo. O problema surge com a nossa nova formação que é o Clown.

Este é um exemplo de homem sério.

Óbviamente eu não vou conceituar Clown exatamente, vou dar as minhas visões idiotas limitadas do que se trata. Clown, em uma tradução direta é o Palhaço. Sim, como se já não bastasse eu to aprendendo em Portugal como ser um palhaço. Um advogado palhaço ou um palhaço advogado, como se já não houvessem vários deles a solta por ai com OAB na mão...

 Maaas, é importante deixar claro que o Clown não é a pura e simples galhofa típica dos animadores de festa. Pelo contrário, esse tipo de atitude superficial é extremamente combatida.

Existem várias diferenças entre tipos de clown e/ou palhaços e em cada tipo busca-se algo diferente, tanto na forma com que o trabalho se desenvolve, como no que tentamos exteriorizar. Como, por exemplo, os palhaços (ou clowns) americanos e que seguem a veia mais circense, que dão mais valor à gag, ao número, à idéia. Neste caso tem mais valor o efeito das ações desenvolvidas, as habilidades, malabarismos; para eles, o que o clown vai fazer tem um maior peso.

Um Clown augusto triste. Chamariam ele p/ animar a festa de aniversário?

Por outro lado, existem aqueles que se preocupam principalmente com o como o palhaço vai realizar seu número, não importando tanto o que ele vai fazer; assim, são mais valorizadas a lógica individual do clown e sua personalidade e sua humanidade exposta; esse modo de trabalhar é uma tendência a um trabalho mais pessoal. Pelo o que li os clowns europeus seguem mais essa linha. Também existem as diferenças que aparecem em decorrência do tipo de espaço em que o palhaço trabalha: o circo, o teatro, a rua, o cinema, etc.


Carlitos, o Clown do Chaplin. O Clown mais conhecido do mundo.

Os trapalhões, a trupe de Clowns mais conhecida do Brasil.

O clown é a exposição do ridículo e das fraquezas de cada um. Logo, ele é um tipo pessoal e único. Uma pessoa pode ter tendências para o clown branco (autoritário, rico, mandão) ou o clown augusto (mendigo, oprimido mas encantador, inocente, puro...), dependendo de sua personalidade. O clown não representa, ele é - o que faz lembrar os bobos e os bufões da Idade Média. Não se trata de um personagem, ou seja, uma entidade externa a nós que podemos nos "esconder" através da representação, mas trata-se de ampliação e dilatação dos aspectos ingênuos, puros e humanos, portanto "estúpidos", de nosso próprio ser.

Pode parecem fácil ser um palhaço, mas para isso precisamos atingir um nível de abertura pessoal muito grande, uma verdadeira doação da nossa parte mais ridícula para o público e para o grupo. Ser amado pelo público, como sempre diz o Pedro (nosso formador). Rá! Ai que está o grande problema: criei várias barreiras como forma de defesa num ambiente "hostil" adotando a autocontenção pessoal; como desnudar minha humanidade e realmente me expor? É difícil saltar do trapézio quando não se vê a rede de proteção a baixo.

Óbviamente neste texto não estou reclamando de xenofobia ou sentindo-me rejeitado por ser imigrante. Pelo contrário, no grupo inexiste esse tipo atitude e me sinto parte dele. São mais questões de diferenças de culturas, como acontece mesmo dentro do Brasil, e uma coisa muito pessoal que o trabalho de clown revelou. E como toda descoberta tem um gosto especialmente desafiador de novidade à ser entendida.

"O trabalho de criação de um clown é extremamente doloroso, pois confronta o artista consigo mesmo, colocando à mostra os recantos escondidos de sua pessoa; vem daí seu caráter profundamente humano. " Luís Otávio Burnier.
PS:  Muitos dos comentário sobre os tipos de clown vieram do livro: A arte de ator: da técnica à representação, de Luís Otávio Burnier, editora da Unicamp, Campinas, 2001. Para comprar esse livro e conhecer as outras publicações do Lume visite o site do Grupo

domingo, 9 de janeiro de 2011

Férias. Retorno para Casa e de volta à casa?!?

Depois de um longo tempo de férias em casa, no Brasil ,eis que estou de volta à Coimbra e de volta ao blog. Esse tempo longe daqui, junto com toda aquela festa de ano novo e planejamento de vida, me vez pensar em muitas coisas e observar outras tantas. Não, eu não fiz uma lista de coisas legais para se fazer em 2011 e nem tracei os objetivos do milênio. 

Reveillon no Atalaia.

O fato é que foi estranho voltar à minha casa no Brasil e deixar a minha casa em Coimbra.  No Brasil eu tenho a minha família, amigos e a tão sonhada mordomia, com roupa lavada, comida feita na hora, carro disponível para passear e todo aquele aconchego que só desfrutamos quando estamos verdadeiramente em casa, ou na casa de nossos pais, ou ambos. Revi os amigos, fiz novos e alguns nem consegui dar um "oi". Enfim, prós e contras de uma passagem rápida.

Belém vista da Baia do Guajará.

Voltar pro lado de cá do Atlântico sem pegar sol (na minha cidade esta no período chuvoso), 6 kg mais gordo e com muitas dúvidas sobre o futuro na cabeça. Quando me perguntam quando eu volto pro Brasil o que eu digo? Não sei. Porque não faço a mínima idéia de como esse ano vai ser. Isso é maravilhoso e desafiador. Vamos lá!

Eu não sei se foram as mais de 30 horas  fatigantes de viagem que me fizeram querer chegar tanto à Coimbra ou se foi um... não sei ao certo... uma! Uma saudade daqui. Do clima, da cidade e do estilo de vida e das famosas paradas no meio da tarde para tomar um café.  Aqui eu tenho que estudar com um olho no livro outro no clima para saber se minhas roupas vão secar; acordar e sair de casa tentando lembrar o que tem de comida que posso fazer para o almoço; assistir aulas com um leve peso na consciência por não ter varrido o quarto e todas essas preocupações de um jovem acadêmico e dono de casa.

Por falar nisso minha capacidade de causar o pânico e o caos dentro do meu quarto foi mais uma vez comprovado. Mal cheguei em casa e em poucos minutos o meu quarto estava naquele climão de Iraque pós-guerra com lugares quase minúsculos para se locomover. Acho que desta vez eu quebrei o tempo recorde sul-americano de bagunça. Mas como existem coisas que podem ser adiadas, mas não por tanto tempo eu hoje fiz o esforço necessário para organizá-lo.

Se não fossem essas crianças na foto eu diria que está idêntico ao meu quarto.

Posso dizer que já reconheço as ruas, suas ladeiras as praças e já tenho um apego especial por alguns lugares. Ou seja, já sou vítima dos encantos de Coimbra e está sendo gostoso estar aqui de volta.

Outro ponto curioso é que eu to com um estranho "medinho" ('pede prá sair porra' by NASCIMENTO, Capitão.)  de voar. Não sei se também é a alta frequência de voos ou se é a irresponsabilidade e o pensamento de "nada me acontecerá" da adolescencia que esta me abandonando. Antigamente eu voava, pegava altas turbulências e ficava tranquilão lendo uma revista enquanto aquele clima de semi-pânico se instalava nos demais passageiros. Agora?! Hum! Fico olhando para a asa do avião que nas turbulências fica lá meio balançando e meio rígida com aquele leve estranhamento, o estomago meio flutuante (em razão da própria variação brusca de altitude) e na mente aqueles pensamentos que não devem aparecer durante um voo. Mas não é nada de causar-me um real medo.

Muito pessoal, muita besteira e muito blá blá blá. To fora de forma nas postagens e na criatividade. Em breve teremos coisas mais relevantes. See ya!

PS: Postagem realizada acompanhada de uma taça (uma TAÇA, não uma GARRAFA viu mãe!) do vinho tinto alentejano Romeira, no supermercado barato mais perto de você.

PS2: Passou o ano e eu não fiz o post sobre as bebidas alcoolicas. Vinho e cerveja. Calma, é porque eu estava na fase de degustação e experimentação. Acho que agora já sou miseramente apto para escrever algo sobre.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Entre bolo, champanhe e a primeira apresentação de trabalho.

Durante a última postagem estavamos preparando a casa para a comemoração do meu aniversário. Quem me conhece sabe que eu não sou lá muito apegado com datas e, sinceramente, acho o dia do meu aniversário como um dia qualquer. Até porque ele de fato É um dia igual os outros. Porém, como o Paulo, Alana e Jeicy pilharam acabamos cedendo e fazendo uma festa.

Mas não foi muuuuito grande. Na escolha dos convidados, "qualidade antes de quantidade", disse eu ao Paulo, quando este questionou se tinhamos chamado gente suficiente. E realmente foi a escolha ideal, todos que estavam lá fizeram a diferença e eram pessoas que me agradavam a presença. Aos faltosos, apenas lamento. A festa foi digna de receber o selo Juice Eventos de qualidade com direito à  bolo surpresa e estouro de uma champanhe. Além é claro de todas as cenas toscas, engraçadas e loucuras que temos direito . Um grande destaque para a fada verde que visitou a casa e depois de sua passagem a festa teve outro tom.  
Weeee!
Tivemos inclusive participação especial da Polícia de Coimbra que visitou-nos durante 2 ocasiões.  Inclusive teve um integrante da festa que ao ver a viatura, despertou seu lado revolucionário e desatou a correr, pulando nosso muro dos fundos. Perguntado porque ele fez isso, ele disse que foi a fada verde quem mandou. Ela disse: "Corre, eles vão te pegar! Pula o muro pula o muro."

Acho que a festa tava tão boa que os Cops gostariam de participar. Felizmente, entre feridos e desmaiados salvaram-se todos.O grande problema foi no outro dia. Acordamos muuuito tarde, porque sabiamos que a casa tava toda suja e destruida e dava dor só de pensar em começar a limpeza. Quando finalmente eu e o Paulo acordamos e saímos do quarto para ver os estragos de batalha deparamo-nos com uma cena do Iraque pós-guerra. Olhamos pra sala, cozinha e banheiro e dissemos um ao outro: "Meu deus, o que fizemos com a nossa casa?!" e "Como vamos começar a arrumar essa baderna?".  Sorte nossa que a SuperJeicy e seu fiel escudeiro Alan vieram ajudar!

Maldita!
 Durante a semana estava deveras ocupado com o tão comentado paper. O paper é um trabalho semelhante à um artigo científico seguido de uma exposição oral. No mestrado científico as avaliações são realizadas, em sua maioria, atraves da apresentação do paper. Na cadeira Direito Constitucional II, aborda-se mais o viés político do Direito Constitucional, constitucionalização do direito, disposição dos Poderes neste novo cenário jurídico-político e o já calejado Ativismo judicial.

Meu tema foi O direito à informação como subsídio ao controle social: Uma questão de legitimidade do regime democrático. Abordando temas como o desinteresse da população nos assuntos públicos, esvaziamento dos espaços públicos como meios de circulação das informações e como o Direito pode utilizar as garantias constitucionais como afirmadoras do acesso à informação, educação e cultura, para consolidar o Estado através de sua célula mínima: o cidadão.

Mãe essa é p/ ti!
É um assunto bem delicado, pois não se limita ao estudo do Direito (como se ainda houvesse uma "Ciência Pura dio Direito), é pautado na interdisciplinariedade com a filosofia, sociologia e  um pouco de comunicação social. Fui sabatinado longamente pela Doutora Benê e fiquei aproximadamente 1 hora e meia expondo e debatendo idéias. Acredito que o trabalho teve sucesso como tema polêmico e causou muitas perguntas e críticas. Mas não sei até que ponto as críticas tão ferrenhas apontadas pela Doutora podem desvalorizar ou valorizar o trabalho como tese científica. Só saberei disso ao ver a nota.

Senhores Doutores.
Mudaaando de assunto... O frio já se tornou uma constante. O inverno mal começou e já está um frio muito chato. Durante poucos momentos no dia temos temperatura superior a 10º. À noite já bate uns 2º e isso dá uma canseira! Sério. Toda vez que eu saio de casa tenho que usar 2 camisas, 1 malha, 1 casaco e 2 calças (geralmente uma calça jeans e a calça de ensaio por baixo). Tenho medo das temperaturas que virão com o auge do inverno.

No Brasil costumamos reclamar do calor que é horrível que bom mesmo é o frio e bla bla bla. Tá certo que vivemos um calor que beira o irracional e trabalhar de terno e gravata  nestas circunstancias é um real exercício de masoquismo, principalmente na temperatura de 35º da minha querida Belém. Mas mudei minha concepção e submetido a esse frio ininterruptamente eu fico com saudades do nosso clima. Tudo é frio, maçanetas, água da torneira, roupas...

O post tá muito chato... Em breve vou fazer um sobre os meus dotes culinários e sobre os vinhos. 

Abraços!

PS: Gostaria de publicamente agradecer de todo coração ao Paulo, Jeicy e Allan por todo o companheirismo e incentivo p/ comemoração do aniversário. Sem eles nada disso teria acontecido.

sábado, 20 de novembro de 2010

Não deixar esfriar. Reflexões de 22 passos.

Fato é que as postagens são menos frequentes do que deveriam e mesmo do que eu gostaria. Juro que vou tentar melhorar. Mas a verdade é que o exercício de buscar algo novo para mostrar e ser realmente interessante de compartilhar piora na medida que vou acostumando-me com a nova vida e novos costumes.

As folhas secas entulhando a rua já não parecem tão diferentes, minhas pernas já estão (quase) acostumadas com as ladeiras e escadas da velha Coimbra. E tirando o clima esquizofrenico e inesperado, as coisas parecem que já estão a se encaixar e formar uma rotina. Apesar da minha aversão à essa palavrinha tão comum e difícil de se afastar.

Amanhã faço aniversario. Ou completo anos, no linguajar lusitano. E apesar do meu desapego com datas isso faz-me pensar bastante. Aniversario é mais do que chamar todo mundo pra  ficar bebado apagar velas e comer bolo, é olhar para trás e ver a linha da história pessoal e como em 2 meses minha vida mudou tanto e me levou com ela, forçando uma modificação. Morar "sozinho" é uma experiência de vida e proporcionou um crescimento como pessoa. Afinal, morar longe da família e amigos não é fácil, mas o cordão umbilical tem que ser cortado. Dividir a casa com outras duas pessoas não é fácil, mas concessões tem de existir. Viver com outras pessoas, pricipalmente em casa é um exercício contínuo de hombridade e limitação. Por exemplo, dividimos certas cosias da cozinha. Por vezes alguém come alguma coisa que não lhe pertence, ou usa alguma coisa que não é sua.  Em outras vezes assisto atitudes que muito me irritam. E tenho brigas épicas em minha cabeça de chutar o pau da barraca e fazer as coisas do meu jeito, falar o que deve ser falado e pronto.

Mas no fundo eu sei que essa não é a maneira correta de agir. Eu não quero ser a pessoa que regula cada copinho de água e iorgure da geladeira. Eu não quero chegar pros meus roommates, putinho da vida, apontar o dedo e agredi-los com tudo aquilo que me incomoda. Eu não quero ser alguém que reclama de uma lata fora do lugar.

Assim como o Alex do genial Liberal, Libertário, Libertino, concordo que podemos ir contra isso, há resistencia! E podemos simplesmente não ceder as essas mesquinharias e sermos realmente GRANDES e realmente lutarmos para deixar de seguir o rebanho e sempre corresponder as expectativas alheias, deixar as coisas seguirem. Como?

Eu não quero ser essa pessoa simplória. Eu não sou essa pessoa. Eu não sou essa pessoa porque eu não quero ser essa pessoa. Eu não sou essa pessoa porque 99,99% de tudo o que acontece no universo (provavelmente mais) está fora do meu controle, mas eu pelo menos ainda tenho controle sobre algumas coisas, eu tenho controle na minha vida e no jeito com que eu levo ela: eu é que decido se eu vou ser a pessoa babaca e cri-cri que vai reclamar de estarem usando minha pasta de dentes.
Poucos conselhos são mais canalhas do que o clássico "seja você mesmo". A maioria dos problemas do mundo veio de gente que estava simplesmente sendo si próprio. Mais importante do que "ser você mesmo" é ser quem você quer ser. Todas as forças do universo nos impelem a nos conformarmos, a aceitarmos as regras do mundo, a cedermos, nos moldarmos. Ser a pessoa que você quer ser é uma das tarefas mais difíceis do mundo. É uma luta diária, surda, interna, contra seus próprios preconceitos, suas mesquinharias, seus egoísmos.

Quer ser menos invejoso, menos ciumento, menos egoísta? Então, seja.

Ser quem você quer ser é o mínimo que deve a si mesmo. Se você não é nem isso, então você não é nada.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

20 séculos de Coimbra e um viajante arenoso.

Depois de um longo período afastado das internerd's volto a postar aqui, para alegria, tristeza e frustração de vocês. Tentar reordenar os pensamentos...

Sim! Essa última semana foi intensa por vários motivos. Primeiro que começaram as... posso chamar, aulas? No CITAC, o grupo de teatro universitário de Coimbra ao qual faço parte agora. As aulas ocorrem diariamente das 20h à 00h, com intensiva atividade física. Não poderemos ter faltas (máximo de 03 faltas) e devemos levar o negócio à sério.


Engraçado, quando alguem sabe que eu to participando de um curso de teatro geralmente adoram a idéia, dizem ser muito bom, legal, "fixe" e etc. Mas quando eu falo a carga horária e as condições do curso olham-me com cara de espanto e me consideram louco porque perderei tempo para estudar (como se eu não tivesse nenhum outro tempo durante o dia) e dizem que vou ficar impossibilitado de fazer viagens mais longas pela Europa.

Esse é um assunto delicado, porém resolvido p/ mim. No Mestrado eu não tenho aulas sexta-feira e segunda-feira apenas na parte da tarde, então realmente daria para aproveitar finais de semana para viagens curtas. E tá certo, quando vim para a Europa pensei: "-Uhull! Vou aproveitar pra viajar muito por lá, conhecer lugares diferentes todo o final de semana. Salamanca, Madri, Paris; tudo está tão perto!". Dai eu passei nas audições e como parte do grupo devo ser responsável com a frequência. E as coisas mudaram. Mas esta é uma escolha muito fácil de decidir. 



Eu não ia ficar longe do teatro e realmente gosto muito de aprender, ensaiar, fazer exercícios e toda essa atmosfera diferente que envolve um grupo teatral. Então, abrir mão dessas viagens não foi dificil, é apenas uma questão de escolha. E também, as cidades na Europa não vão sair do lugar, vão ficar por aqui durante muito tempo e o curso tem duração de 06 meses (depois, quem quiser pode continuar no grupo "para sempre") e o mestrado são 02 anos. Então, tempo é o que não falta.

Falando no mestrado, dia 27 de novembro tenho um paper para apresentar como nota parcial. Consiste basicamente em escrever um artigo de aproximadamente 25 páginas e apresentá-lo à turma para discussão e aguentar as perguntas e indagações. Estou em uma dúvida tremenda sobre o tema. Ocorre que estudamos muito o ativismo judicial, influencia do Poder Judicial sobre os demais poderes e as crises que isto pode acarretar. Porém muitos colegas já trataram sobre este tema. Enfim! Vou decidir hoje ou amanhã.

Outra, eu participo do Couch Surfing ( www.couchsurfing.org ) que é um programa de intercâmbio cultural onde os participantes podem viajar para qualquer pais e pedim abrigo na casa, ou sofá, de alguem e também receber visitantes em suas casas. É um site muito interessante porque além de reduzir custos para viajantes permite uma troca de cultura mais intensa entre hospedes e "couchsurfistas". Recebi um pedido de um senhor para ficar aqui em casa, falei com os demais moradores e eles deram o OK.

O CSurfer foi o Filippo Cavalieri um senhor de 72 anos da Itália. Ficou só 2 dias aqui e era um cara simpático, quieto e inteligente. Porém....

 
Malandrinho
O Alan também queria passear e compartilha comigo um gosto por lugares históricos, levamos ele para Conimbriga. Senta que lá vem história....

Conímbriga fica à uns 15km de Coimbra e é um sítio arqueológico de uma das maiores povoações romanas em Portugal. A ocupação nativa eram dos Lusos, um povo que sempre esteve por essas bandas e (acredita-se) tem antecedentes Celtas. Porém com a famosa expansão do Império Romano advinha quem apareceu por aqui?!

"Ae cumpadi, Lusitânia fica por aqui?!"
A localização central foi determinante para a ocupação de Conímbriga que ficava no meio de uma estrada que ia de Olisipo (actual Lisboa) a Bracara Augusta (actual Braga, ao norte de Portugal). Ela foi fundada em 139 A.C!! No século 1 durante o reinado de César Augusto a cidade sofreu um Boom imobiliário e populacional com grandes obras públicas como o Fórum e as Thermas públicas.

Thermas Públicas. Alí são várias câmaras, com partes frias, mornas e quentes.

Reconstituição de como era o Fórum no auge de Conimbriga.

Só para esclarecer, as fotos são de ESCAVAÇÕES portanto, não estranhem ver apenas as estruturas dos prédios e casas, além de um tour histórico eu tive que usar a criatividade para imaginar como era a cidade. Falando em criatividade é muito interessante imaginar como funcionava a vida naquele tempo. Ver as estruturas das casinhas, algumas verdadeiras mansões, como eles dividiam a casa, como valorizavam jardins e tinham uma tara séria por água! Sério!

Acho que isso era cultura dos romanos, por onde eles passavam tinha que ter um aqueduto e termas. A diversão da época era trabalhar, ir nas termas tomar um banho, pegar uma sauna e fazer filhos (não necessariamente nesta ordem) .

Área de lojas. Dá p/ ver o subsolo das lojas, provavelmente usado para estoque.

Entrada de uma mansão de uma família rica. Detalhe o jardim de entrada, alí atras a sala de estar e na lateral os quartos.

Jardins públicos.
Visão do alto.
Piso mosaico ainda conservado.
 Tudo tava muito bonito, tudo era alegria. Os romanos brincavam nas piscinas, o Fórum tava bombando e o comércio de mercadorias entre as cidades romanas era grande no período de ouro do Império Romano de Augusto (séc 1 A.C até 1 D.C). Infelizmente tudo que é bom passa e logo vieram as famosas invasões bárbaras. Como Portugal possui uma costa marítima grande eu dou um euro pra quem advinhar quem desembarcava nas costas lusitanas e começaram a chutar os traseiros romanos lá pelo século III e IV!

Vinkings!! Não, Não Conimbriga sofreu invasões e saques de Visigodos e Suevos. Povos germânicos.
 Como a situação começou a ficar perigosa para a cidade, os romanos construíram, sobre as coxas, essa muralha com cerca de mil e quinhentos metros de extensão e 4m de espessura que cortou a cidade ao meio e basicamente quem ficou pro lado de fora levou o farelo mesmo. Porém mesmo assim a cidade não resistiu e caiu em domínio dos Visigodos.

Muralha. Desculpem estragar a foto.
O passeio foi muito bom, tudo muito legal. Só que eu não me atentei a um fato muito peculiar do meu hóspede. O velho safadinho tinha esses problemas de pele que dá em idosos e ele despelava! Despelava não! O idoso simplesmente estava se desintegrando no quarto e no banheiro. Só fui descobrir isso quando ele foi embora e eu acordei e fui usar o banheiro. Pensem no impacto que eu tive. Simplesmente o banheiro e meu quarto pareciam que tinham passado por uma tempestade de areia! Foi terrivelmente nojento colocar luvas de borracha e sacos de plastico para varrer, aspirar e desinfetar o quarto e o banheiro. Que safado! Poderia ter avisado né?!  O lençol e o edredon eu nem sei como tava, antes de sair ele dobrou e eu mandei pra lavar com água fervendo sem nem abrir! hehehehehe 
ah! comprei um edredon novo, maior e mais fofinho. O outro ainda está vindo da super lavagem.